quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Escola que um dia conheci não existe mais.


Em meus tempos de menina aqui mesmo em Belo Horizonte, escola era um lugar bom e importante.
Vestia meu uniforme velhinho mais limpinho, mesmo assim, ele parecia um vestido de baile. Minha mãe sempre falava: Nada de chegar suja na escola! Eu era terrível! subia em árvores e tocava campainha nas casas.Tudo isso a caminho da escola. Devo confessar que não chegava lá tão limpinha como minha mãe queria. Subia o morro brincado e rindo como uma boba, eu e mais algumas outras.
Já no imenso portão, olhávamos atentamente a imponente construção.
Mais um dia de atenção, concentração, recreio, colorir, brincar de pique esconde, leituras e aprender os fatos. Respirava fundo e entrava. Pelos corredores podíamos sentir o cheiro da merenda sendo feita lá na cantina. Doces lembranças da minha escola em meu tempo de criança.

Hoje passo na porta de minha antiga escola e não vejo mais aquela de outrora.

Suas janelas hoje existem grades e toda pichada está por fora

Há muito as escolas publicas de Belo Horizonte e Região Metropolitana perderam o seu brilho, seus prédios são invadidos destruídos e queimados. Os noticiários locais sempre noticiam fatos como estes. Estão virando rotina.

A população e funcionários tem ido às ruas em manifestação pedindo proteção e a preservação desses espaços. Hoje mesmo teve um. E não importa se hoje virar amanhã, pois vai parecer assunto fresco do dia. As depredações já viraram uma dolorosa constância. Nesses atos hediondos quase nunca encontram os culpados. Não os acham. No dia seguinte só as cinzas são vistas.

Na maioria das vezes os responsáveis por tais atos estão escondidos na própria comunidade no entorno da escola, e raramente não são menores, ex- alunos. Eles não voltam para visitar a escola com saudades. Mas aparecem na calada da noite, nas pontas dos pés pulando os muros. Já lá dentro fazem e acontecem. No dia seguinte funcionários e alunos desanimados contabilizam os estragos.
As escolas são carentes de vigias noturnos, hoje substituídos por alarmes. Alarmes que não tem impedido as ações de vandalismo. Os alarmes poupam o estado de encargos trabalhistas. Alarmes não recebem salários. Mas existem aquelas que nem alarmes tem! Menos encargos ainda.

Será que os professores depois de cumprir seu horário e muitos com jornada tripla terão também que passar à noite na escola, para protegê-la de ser destruída e queimada? Isso também será mais uma função agregada às suas responsabilidades no futuro?

Prefeituras e Governo estão protelando em tratar o caso como ele merece ser tratado. Já não é mais caso de polícia e sim de política publica de prevenção. E não me venham falar que o povo votou mal, não é possível que na bacia só tinha joio. Nesse caso não se aplica mais o voto, e sim responsabilidade e vontade política por parte do poder publico. Nem o mínimo é mais possível fazer?
Vejo comissões sendo criadas para tratarem da construção e termino dos estádios de futebol, comissão para reestruturação da cidade para receber a copa, comissão para consertar o buraco do tatu! Que tal criar uma comissão para não mais discutir sobre o assunto da insegurança, e sim para resolver o problema?

Penso que em pouco tempo nossas crianças estarão estudando em praça publica, pois irão chegar um dia e descobrir que a escola não se encontra mais lá. Foi demolida, os vândalos não conseguindo carregá-la demoliram tudo.
Aqui em BH está assim, o que não carregam queimam! Ou só queimam, pelo simples prazer de destruir.


Meus rabiscos podem até não ajudar muito, mas o registro desses fatos é importante. Acredito que a situação deva ser mostrada alcançando outros setores da sociedade, para que alguma coisa comece a ser feita. A escola publica é um patrimônio de responsabilidade de todos. E até agora pais e escolas tem sido um dueto solitário no deserto.