quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Na intimidade do Lar




Mariela é uma simpática e dedicada dona de casa, formada em psicologia, funcionária pública e antenada nas transformações sociais. Casada com Denivaldo engenheiro mecânico, dono do seu próprio negócio. Eles tem um filho, o Naldinho, garoto bonito, com 17 anos.
Denivaldo precisamos conversar com o Naldinho. Disse Mariela.
Denivaldo estirado no sofá curtindo a preguiça de fim de semana, perguntou: Qual o assunto?

Ela disse: Esse menino anda muito estranho. Chegou hoje, o dia estava quase raiando, estava rasgado e com um pedaço de pau na mão. Parecia um taco de Beisebol E ele nem esporte pratica e muito menos gosta. Você tem que conversar com ele. Saber onde ele esteve, com quem...

Mariela, você se preocupa demais, nosso filho está só curtindo a vida, isso é da idade. Problema mesmo enfrenta o Antônio da padaria. Estão todos comentando que o filho dele é fruta.

Fruta? Indagou a mulher. Fruta como?
Sem muita paciência o homem respondeu quase rosnando. Bicha mulher! Viado! Biba! Entendeu agora?

Ainda sem ver qual problema, Mariela retrucou: E o que tem isso? O menino é muito inteligente, já está até na faculdade, entrou um ano antes. Você sabia que ele é só seis meses mais novo que nosso filho? E o Naldinho ainda nem concluiu o ensino médio. Foi reprovado. Você se lembra dos problemas que tivemos com ele?

O marido já nervoso, não mais conversava e sim urrava feito um animal com a mulher dizendo: Ta louca mulher? Como você pode comparar o nosso filho com aquela aberração do filho do Antônio? Nosso filho lindo, que namora a menina mais bonita do pedaço. Além do mais, “TODOS” os professores sempre perseguiram o pobre garoto.

Nesse momento aparece Naldinho de banho tomado, e com o taco de Beisebol na mão. Seu pai pergunta: E aí filhão, ta jogando beisebol agora?
O garoto rindo, disse para o pai: É, eu e a turma estamos treinando. Agora mesmo vamos rebater umas bolas por aí. O garoto sabia que era a estrela dourada no céu azul do pai.

Vai lá garoto! Mandou o pai eufórico e orgulhoso do filho ESPADA. O garoto, ou melhor, o quase homem, pois dentro de um mês fará 18 anos, foi saindo... O pai suspirou satisfeito, olhou pra mulher com ar de “eu não te disse”... Olhou pra TV, que anunciava: “... grupo de jovens agride homossexual a pauladas...” Se jogou no sofá e pensou: Santo fim de semana. O carnaval é na semana que vem mesmo? Nem sei. Só sei que serão quatro dias de folga. Vou ver se ta passando futebol no outro canal. Notícia ruim. To fora!

A mulher desalentada foi para a cozinha terminar o almoço de domingo.
Ao longe se ouvia os suspiros da mulher se confundir com os roncos do marido. Esse, definitivamente, não pode ser o som dos dialogo em família. 

Texto de Regina Márcia

5 comentários:

  1. Olá Regina, através da amiga Elaine do blog "De Dentro pra fora", por recomendação viemos conhecer teu blog, parabéns, gostamos muito e já estamos seguindo ..

    Deixamos nosso afetuoso abraço !!!

    R&M

    http://sonhosalma.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  2. A violência é algo torpe, contra quem quer que seja, cada um tem o livre arbítrio de viver como lhe aprouve. Lamentável. Parabéns por este belo texto, vou postar para você no dihitt.

    ResponderExcluir
  3. Parabéns amiga! Acho que vc deveria escrever um livro de crônicas! Com certeza, seria Best Seller! Texto muito bem escrito! Enredo muito bem desenvolvido conseguindo, em um texto não muito longo, transmitir uma mensagem importante, que, só sendo meio burrinho, p/não entender...Abraço no coração!! Abraço fraterno e afetuoso! Elaine Averbuch Neves
    http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. Essa história é uma lamentável realidade. Culpam o Estado pela marginalidade, porem, esquecem que educação é dever dos pais e não do Estado. Assim ditou Sheilla:"... O lar é o organismo social. Em casa, começa nossa missão no mundo"

    Beijokas Regi!
    Fabiana Costa.

    ResponderExcluir