sábado, 18 de fevereiro de 2012

A LIBERDADE de ir e vir é o que nos leva até o outro


Amigo(a)s do Jeitinho Mineiro estou aqui hoje para  compartilhar com vocês um comentário deixado em meu Blog, pela querida amiga Van. Antes eu não sabia se "Van" era um menino ou menina. Depois que ela fez uma entrevista no Blog da Gisele http://wwwgiseleloira.blogspot.com pude desvendar um pouco mais essa onda de mistério que envolve nossa querida amiga. Mas nem todo mistério foi desvendado, pois não sei de qual parte do Brasil nossa querida é, só sei que gosto demais de ir visitar seu blog, e recomendo, quem ainda não foi que vá! É um espaço que cheira à poesia. Para mim tem cheiro de chocolate. Amo chocolate e adoro poesia. Eu costumo dizer que poesia tem cheiro, o nosso cheiro preferido!.

 Hoje ela me surpreendeu mais uma vez, pois deixou um comentário onde explicava de forma simples e objetiva o motivo de nós mineiros falarmos assim... tudujuntiin. 

A história de nossa fala mansa e agarradinha foi um dos motivos por ter criado o meu blog. A essência  do Jeitinho Mineiro significa, "Liberdade ainda que tardia" esses são os dizeres escritos em latim em nossa bandeira, em meu texto "Minha Minas em Prosa e Verso" descrevo o nosso desejo de liberdade. E a Van inteligentemente e com uma enorme sensibilidade deixou um dos motivos que me levaram a escolher o nome de Jeitinho Mineiro. Este nome tem um significado em minha história de vida que vocês não fazem ideia. Mas isso é uma longa história, para um outro post. Voltemos a Van, estrela deste post. 

Oi Regina,


e sabe qual é a origem desta forma de falar dos mineiros, que reduz as palavras a uma sílaba só e as frases a uma única palavra?

Segundo estudiosos, deve-se à pressão sofrida pelos mineiros na época do ciclo do ouro, quando a coroa portuguesa colocava ouvidores nomeados ocultamente por ela, para manter relações de amizade com as pessoas e as famílias, frequentar suas casas e denunciar quem vivia com fartura, um possível sinal de que esta pessoa estava extraindo ilegalmente o ouro que diziam pertencer somente à coroa. para se defenderem das denúncias o povo usava o recurso de diminuir as palavras e emenda-las, na tentativa de não permitir que os portugueses entendessem o que falavam entre si.

Vem desta mesma situação de opressão e temor, o maior traço do temperamento dos mineiros: o ser reservado, desconfiado e quietinho. Um povo que viveu sob opressão e ameaça de condenação ou morte, nos primeiros tempos de sua organização, por serem habitantes da terra mais rica do país, só poderiam ser desconfiados e discretos, preservando-se sempre e fazendo mais do que falando. Comendo quietinho e escondendo o
queijo na gaveta pra ninguém saber com quantas posses viviam, por isso as mesas coloniais em Minas todas possuem gavetas, pra esconder o queijo quando a visita chegava, não propriamente por ser "pão-duro", mas pra salvar o pescoço. Ser rico em Minas na época da colônia era sempre um risco de ser acusado de roubo nas minas e literalmente "perder a cabeça" por isto.

E, por causa desta mesma opressão, nasceu em Minas o grito de liberdade que ecoou em todo o país e culminou com a independência nacional. 

A bandeira mineira nos conta sobre esta opressão e esta luta.

Ser mineiro é ser quietinho, é falar curtinho e, acima de tudo é ser livre.

Adorei o "mineirim cuzinhano". rsrsrs

Beijos! 

Van 

Van receba minha singela homenagem, pois, seu cometário foi para mim uma homenagem também! Quando o outro tem a sensibilidade em ler nas entrelinhas de nossa alma é uma dádiva de Deus e devemos agradecer. Estamos todos em um amplo processo de humanização. E esse processo só se desenvolve por meio das relações humanas.

Eu, Regina Márcia, Bisneta de ex - escrava, dona Maria da Conceição, a quem tive a oportunidade de conhecer em vida ainda, pois nos deixou com seus 110 anos, mas em tempo de relatar os sofrimentos vividos na senzala. E meu bisavô que não tive o privilégio de conhecer, pois morreu logo que a liberdade chegou. Não conseguiu conviver com ela. Dizem que ele não sabia para onde ir e nem o que fazer. Ficava na varando esperando... esperando... Acho que a morte chegar.

Eu nasci livre, cresci livre e vivo livre. E sei o quanto isso custou!  Sangue de brancos e negros foi derramado pelos caminhos da Estrada Real. Mas chegamos até aqui!

Jeitinho Mineiro. É mais que um jeitiin de falar...        

Van Bjos!

6 comentários:

  1. Oi,
    Aqui tem tudo de geito mineiro,maravilha de blog e conteúdo.Aproveito para agradecer o selinho Seja Um Coração Amigo,que claro você encontrou no blog da grande amiga Elaine.Fico feliz por ve-lo em muitos blogs.Eu criei esta campanha com a única finalidade de conhecermos novos blogs e fazer novas amizades.Ou seja uma blosfera unida.
    Feliz carnaval,e mais uma vez obrigado por aderir a campanha.
    http://wwwavivarcel.blogspot.com/

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  2. Querida Regina,

    Eu agradeço muitíssimo a sua homenagem, me emocionou a história dos seus bisavós.

    Chegamos até aqui e nossa história define quem somos.

    Para um povo que chegou ao centro do país em imensos grupos de exploradores e tinha que tirar de uma terra inóspita o alimento que não existia, pois ainda não haviam culturas nem criações de animais, só florestas densas e ameaças à vida e, esse povo desenvolveu uma culinária rica com base no milho e mandioca, culturas de crescimento rápido e, carne de galinha e porco, animais que necessitavam de pouco espaço para serem criados, esse povo era de raça forte, lutador e determinado. No litoral era tudo mais fácil, navios chegavam de Portugal para abastecer a todos, mas no sertão não, no sertão os escravos trabalhavam dobrado. Sua bisavó é uma guerreira e tanto sobreviver à escravidão e depois à liberdade que você bem disse maltratou tanto o povo negro quanto a própria escravatura, pois os colocou despreparados e desvalidos a vagar sem rumo.

    São histórias já distantes de nós, porém não se enganem em pensar que não fazem parte efetiva da nossa vida, fazem sim, foi delas que nascemos é sobre sua influência que vivemos.

    Um beijo grande e obrigada pelo carinho.

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  3. Poesia tem cheiro e poder de se transformar em energia para penetrar os poros de quem lê ou ouve.
    Estou devendo uma postagem sobre a poesia de Van, mas um dia sai.
    Como é bom conhecer mais sobre o Brasil e sobre sua gente, mas sua gente de verdade, aquela que sua na labuta, que sofre, que ri e que tem sangue nas veias; chega de gente de plástico que todos os dias invade nossos lares com suas mensagens superficiais e sua vida vazia.
    Precisamos conhecer e valorizar o nosso passado para nos reafirmarmos enquanto brasileiros, e pessoas de bem, que querem o bem!
    Ah, Machado, meu escritor favorito. Ainda leio todos os seus contos!

    Abraços

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  4. Regina, conheço a Van já faz algum tempo e posso dizer diante daquilo que vejo e sinto através deste mundo virtual que ela é tudo de bom... Um grande abraço.

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  5. Muito bom! Não conhecia essa parte da história! É uma história triste e feliz ao mesmo tempo. Triste pela escravidão e feliz pela liberdade. Sabe-se que muitos países que foram escravizados até hoje vivem na miséria. E o Brasil graças a Deus é um país farto. Se não fosse tamanha a corrupção a vida no Brasil seria a melhor do mundo!

    Abraços.

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  6. Oi, Regina. A Van, com sua doce sabedoria, nos presenteia com sua visão sobre a vida, e mesmo em uma história triste consegue nos mostrar a beleza do avesso. Um abraço para as duas!

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