sábado, 18 de fevereiro de 2012

Bicicleta de Rodinha



Pensando num amigo querido resolvi republicar esse texto. Afinal o escrevi para ele... Saudades amigo...

Tarde fresca, cabeça quente. Precisando respirar para poder pensar.  Assim foi naquela tarde de verão. O mundo estava pequeno demais para a enormidade das minhas indecisões. Quando dei por mim, estava em um banco de uma charmosa pracinha perto de casa.

Com olhos desanimados e apáticos observei uma criança se equilibrando e desequilibrando em cima de uma bicicletinha de rodinha. A mãe veio ajudar, proteger, amparar. Mas um dedinho gorducho sinalizou um não. E uma vozinha determinada de criança disse: Mamãe você já me segurou demais! Agora quero tentar sozinho. Não vou cair não, a rodinha não deixa.

Aquele curto diálogo tirou-me do transe da vida adulta por alguns minutos. Passei a observar aquele pequeno valente e o desafio de sua pequena vida. Pelo visto era a primeira prova de sobrevivência no cotidiano daquela jovem vida.

Durante dez minutos observei suas tentativas. Caindo para um lado e para o outro, aos poucos foi se equilibrando, quando dei por mim o pequeno Davi, dei-lhe esse apelido. Já andava de lá pra cá. Ereto, digno e feliz. Havia vencido o desafio imposto por sua bicicleta de rodinha.

A mãe veio aplaudindo o pequeno. Muito bem querido! Disse ela. Agora você já é um ciclista.

O pequeno virou para e mãe e disse: mamãe tira as rodinhas. A mãe surpresa tentou argumentar. Vamos esperar mais uns dias. Até você se acostumar a andar com as rodinhas. Ele determinado rebateu. Mas mãe... você não está vendo que já estou ótimo? Quero que a senhora tire as rodinhas. A contra gosto a mãe atendeu ao pedido do pequeno Davi. Tirou as rodinhas. E mais uma vez lá foi ele. Porém não seria nada fácil dessa vez.

Rindo eu observava  aquela cena. Misto de determinação, coragem e inocência. Até havia me esquecido o que me levara àquela praça. Voltei a observar o pequeno.

Ele caiu duas vezes, sendo que na segunda esfolou todo o joelho. Vi que ele chorava, pois o joelho sangrava. A mãe como sempre tentava fazê-lo mudar de idéia. Vamos voltar a colocar as rodinhas?
Determinado mais uma vez disse não!

Agora com mais atenção, eu nem piscava. Quero ver no que vai dar isso. De repente o danadinho saiu pedalando. Parecia que nasceu sabendo andar de bicicleta. Sem ver comecei a bater palmas. Parecia que era eu quem estava naquela bicicleta. Meio desconcertada, pelo entusiasmo exagerado levantei ajeitando a saia, e fui andando.

No caminho de casa pensei: Preciso tirar as rodinhas que escoram a minha vida. Já é hora de removê-las! Algumas já estão até gastas de tanto suportar o peso da indecisão.

Ao longe ouvi a mãe chamar: Wagner. Vamos embora. Está tarde!


Então esse é o nome do meu pequeno Davi? Wagner... Mas sempre me lembrarei dele como Davi!
Texto de Regina Márcia


6 comentários:

  1. Olá Regina,
    as rodinhas só são necessárias até certo ponto. Depois disso elas só emperram nossa evolução e crescimento não é rsrs!

    Abraços.

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  2. Grato por sua visita ao http://maustratosaoidosodenuncie.blogspot.com
    Fico feliz que tenha gostado do meu trabalho e ajuda aos nossos idosos que tanto sofrem no Brasil e no Mundo.
    Abraço fraterno do seu amigo.

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  3. Vc tem um coração lindo! Obrigada pelo carinho!Excelente Carnaval, sambando ou descansando!Já pulei muito carnaval, agora fico em casa...Parabéns pelo visual novo! Ficou lindo! Abraço fraterno e carinhoso!
    Elaine Averbuch Neves
    http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com/
    http://www.dihitt.com.br/elaineaverbuch
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  4. O equilíbrio é uma necessidade de todos nós, cair, levantar e seguir em frente, essa mensagem tem um"Q" de positivo, precisamos ter equilíbrio, o elogio da mãe foi tudo. Aliás a criança até os 7 não consegue entender nenhuma crítica negativa, mas o elogio ficará marcado para sempre. Carlos, voz do povo.

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  5. Ôi amiga! Já tô começando a ficar com saudades...A vida da gente tem rodinhas desde que a gente nasce, depende de nós se vamos querer que continuem nos dando aquela (falsa)sensação de equilíbrio ou não... Vi teu desabafo no diHITT sobre alguns tipos de comentários...Não desanima, não...Já me senti assim, não vale a pena, porque é só a gente que sofre! Bjãozão no coração!
    Elaine Averbuch Neves
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  6. Tô mais felizinha! Você voltou! Yeah!!! Muito obrigada pelas palavras gentis e carinhosas!A festa dos 800 já começou! Só falta você! Vem! Uma sexta-feira abençoada e um final de semana iluminado! Grande e fraterno abraço!
    Elaine Averbuch Neves
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