quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Escola que um dia conheci não existe mais.


Em meus tempos de menina aqui mesmo em Belo Horizonte, escola era um lugar bom e importante.
Vestia meu uniforme velhinho mais limpinho, mesmo assim, ele parecia um vestido de baile. Minha mãe sempre falava: Nada de chegar suja na escola! Eu era terrível! subia em árvores e tocava campainha nas casas.Tudo isso a caminho da escola. Devo confessar que não chegava lá tão limpinha como minha mãe queria. Subia o morro brincado e rindo como uma boba, eu e mais algumas outras.
Já no imenso portão, olhávamos atentamente a imponente construção.
Mais um dia de atenção, concentração, recreio, colorir, brincar de pique esconde, leituras e aprender os fatos. Respirava fundo e entrava. Pelos corredores podíamos sentir o cheiro da merenda sendo feita lá na cantina. Doces lembranças da minha escola em meu tempo de criança.

Hoje passo na porta de minha antiga escola e não vejo mais aquela de outrora.

Suas janelas hoje existem grades e toda pichada está por fora

Há muito as escolas publicas de Belo Horizonte e Região Metropolitana perderam o seu brilho, seus prédios são invadidos destruídos e queimados. Os noticiários locais sempre noticiam fatos como estes. Estão virando rotina.

A população e funcionários tem ido às ruas em manifestação pedindo proteção e a preservação desses espaços. Hoje mesmo teve um. E não importa se hoje virar amanhã, pois vai parecer assunto fresco do dia. As depredações já viraram uma dolorosa constância. Nesses atos hediondos quase nunca encontram os culpados. Não os acham. No dia seguinte só as cinzas são vistas.

Na maioria das vezes os responsáveis por tais atos estão escondidos na própria comunidade no entorno da escola, e raramente não são menores, ex- alunos. Eles não voltam para visitar a escola com saudades. Mas aparecem na calada da noite, nas pontas dos pés pulando os muros. Já lá dentro fazem e acontecem. No dia seguinte funcionários e alunos desanimados contabilizam os estragos.
As escolas são carentes de vigias noturnos, hoje substituídos por alarmes. Alarmes que não tem impedido as ações de vandalismo. Os alarmes poupam o estado de encargos trabalhistas. Alarmes não recebem salários. Mas existem aquelas que nem alarmes tem! Menos encargos ainda.

Será que os professores depois de cumprir seu horário e muitos com jornada tripla terão também que passar à noite na escola, para protegê-la de ser destruída e queimada? Isso também será mais uma função agregada às suas responsabilidades no futuro?

Prefeituras e Governo estão protelando em tratar o caso como ele merece ser tratado. Já não é mais caso de polícia e sim de política publica de prevenção. E não me venham falar que o povo votou mal, não é possível que na bacia só tinha joio. Nesse caso não se aplica mais o voto, e sim responsabilidade e vontade política por parte do poder publico. Nem o mínimo é mais possível fazer?
Vejo comissões sendo criadas para tratarem da construção e termino dos estádios de futebol, comissão para reestruturação da cidade para receber a copa, comissão para consertar o buraco do tatu! Que tal criar uma comissão para não mais discutir sobre o assunto da insegurança, e sim para resolver o problema?

Penso que em pouco tempo nossas crianças estarão estudando em praça publica, pois irão chegar um dia e descobrir que a escola não se encontra mais lá. Foi demolida, os vândalos não conseguindo carregá-la demoliram tudo.
Aqui em BH está assim, o que não carregam queimam! Ou só queimam, pelo simples prazer de destruir.


Meus rabiscos podem até não ajudar muito, mas o registro desses fatos é importante. Acredito que a situação deva ser mostrada alcançando outros setores da sociedade, para que alguma coisa comece a ser feita. A escola publica é um patrimônio de responsabilidade de todos. E até agora pais e escolas tem sido um dueto solitário no deserto.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

E quando nos faltam coragem pra dizer as coisas?

Lendo um texto no Blog Livre Voz do povo, "O não de Eloá" lembrei de uma passagem inicial do livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas", onde meu velho Brás só teve coragem de dizer os seus nãos e mais algumas coisas, que o mesmo achava serem suas verdades, infelizmente, só depois de morto.  Fiquei matutando mineiramente com meus botões as palavras de Brás ou melhor de Assis. Ah! Tanto faz o nome. Pois Brás Machado e Assis Cubas são a mesma pessoa. 
Vocês devem estranhar nossa intimidade, ou melhor, o meu atrevimento de querer ser intima dele. Mas,  Machado foi o meu amor ao primeiro livro. Muitas coisas ele me jogou na cara, pela boca de personagens vivos e neste caso, bate-me à  face pela boca de um morto. 


Desejaria ter a mesma coragem em vida. Mas hoje quem as tem?
Toda vez que leio essa passagem, fico com a nítida sensação que meu amado imortal está por jogar-me na cara verdades que não quero admitir. Posso até ouvir sua cínica, implacável e aveludada voz.
...Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, a força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! que desabafo! que liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso as lantejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há platéia. O olhar da opinião, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo que pisamos o território da morte; não digo que ele se não estenda para cá, e nos não examine e julgue; mas a nós é que não se nos dá do exame nem do julgamento. Senhores vivos, não há nada tão incomensurável como o desdém dos finados....  

 Memórias póstumas de Brás Cubas
 Continuo pensando no NÃO DE ELOÁ...  



sábado, 25 de fevereiro de 2012

Cidadania Mais ou menos. Assim eu não quero!


A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com o gosto médio.
Ariano Suassuna.

 Concordar com uma política mais ou menos. É continuar assim... Vivendo na mediocridade de uma cidadania empobrecida. 

Sejamos como as crianças, que constroem suas ações todos os dias, de acordo com suas necessidades verdadeiras.

Não quero uma cidadania mais ou menos... Quero-a toda! Tenho pressa! Temos urgência! Pois o mundo não acabou e nem vai!

Meditando nas palavras de Ariano Suassuna fui pouco a pouco sendo invadia por um desconforto interior, fazendo-me lembrar de uma música que diz assim... “a minha alma está armada e apontada para a cara do sossego...” Rapa.

Quem em sã consciência começaria uma guerra contra o sossego? Quem não busca o sossego com todas as forças do ser? Desde que a humanidade existe, ela procura o sossego desesperadamente.
Mas não quero o sossego comercializado. Aquele que aparece na TV.

Quero o sosseguiin, aquele da rocinha, da cidade segura e tranqüila. Aquele que plantando dá! Dá de tudo! Dignidade, respeito e consciência.
Esse sossego é que é um trembãodimaisdacontasô!

Cidadania mais ou menos não nos serve mais! O mundo precisa de mais!

Regina Márcia




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Carpe Diem Tutankamon


Literalmente, esta frase significa « Colhe o dia presente e sê o menos confiante possível no futuro”. Ela foi tirada de versos latinos do poeta Horácio, interessado no epicurismo e no estoicismo ( nas suas Odes, I, 11, 8 “A Leuconoe”). Ela resume o poema que a precede e no qual Horácio busca persuadir Leuconoé a aproveitar o momento presente e dele retirar todas as suas alegrias, sem se inquietar nem com o dia nem com a hora de sua morte. Fraguentos retirados de http://pt.wikipedia.org/wiki/Carpe_diem


Tutankamon
 Mas não quero falar de "sê o menos confiante possível no futuro". Quero falar do presente e das coisas que colhemos dele. 
Ao contrário da brevidade do outro texto esse não será breve e nem longo. Porém na medida certa!
Pensei nesse poema de Horácio para tentar materializar sua leveza de atitude sem medo de ser audaz. Expressar sua essência epicurista de procurar um bem maior nos prazeres moderados atingindo assim, um estado de tranquilidade banindo o medo de falar. Em "Refletindo... Em poucas palavras" vc foi assim, pois o bem maior no momento foi o desejo de compartilhar outro pensamento reflexivo. O primeiro não é uma reflexão machista, muito pelo contrário. Mas não vou me alongar nessa vertente. Que o leitor observe ao redor e reflita sobre o caso. O segundo é grave. Provocado na maioria das vezes pelo silêncio dos bons. Temos que pensar muito sobre isso! Mas um completa o outro de uma forma estranha, realizado com isso, um casamento impensável Até o momento de seu comentário. Ainda estou pensando sobre isso, rsrsrsrsrsrsrs. Terei pensamentos para horas, quem sabe dias. Sou assim... movida por possibilidades.
Você comentou:
(1)Antigamente as mulheres cozinhavam igual à mãe...
Hoje, estão bebendo igual ao pai!"

(2)Antigamente os cartazes nas ruas, com rostos de criminosos, ofereciam recompensas; hoje em dia, pedem votos".


Compartilho com meus leitores a oportunidade que tive lá no DiHitt, ou seja  refletir sobre suas palavras. 


Tutankamon é egípcio, um rei que sei. Porém, escolhi um Romano para homenagear você e sua ousadia. Observe os grifos, pois são para você.
                                                      
Tu não indagues (é ímpio saber) qual o fim que a mim e a ti os deuses tenham dado, Leuconoé, nem recorras aos números babilônicos. 
Tão melhor é suportar o que será! Quer Júpiter te haja concedido muitos invernos, quer seja o último o que agora debilita o mar Tirreno nas rochas contrapostas, que sejas sábia, coes os vinhos e, no espaço breve, cortes a longa esperança. 
Enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso; colhe o dia, quanto menos confiada no de amanhã.
 Glossário

Estoicismo: escola de filosofia helenística. séc III a.c - Atenas
Epicurismo: sistema filosófico ensinado por Epicuro de Samos. séc.IV a.c
Não devemos indagar o tempo, mas devemos refletir sobre tudo que beija o vento
Pesquisa e fragmentos retirados na Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carpe_diem 

Comentando os grifos que fiz para você.

Não indagaste o fim que seus comentários lhe traria, e sim o bem que poderiam fazer. Escolheu suportar o que poderia vir, depois que os fizeste. De maneira sábia não causou ofensa, acredito ter sido porque não temeste a vaidade alheia. Preocupando-se mais, em não perder o dia, ou melhor a oportunidade da vida, que pode ser a qualquer momento levada pelo invejoso tempo, a qualquer hora. Pois sabes que ele passa rápido demais! Por isso colheu/aproveitou o dia, ou como preferir, Carpe Diem.

Um grande abraço!
Ótimo fim de semana.

Refletindo... Em poucas palavras.

Nos adaptarmos às mudanças é necessário...

Foto compartilhada no Faceboock por Marco Cavalcante


Foto compartilhada no Faceboock por Agente Edilson
Mas adaptar não é sinônimo de calar!



sábado, 18 de fevereiro de 2012

Bicicleta de Rodinha



Pensando num amigo querido resolvi republicar esse texto. Afinal o escrevi para ele... Saudades amigo...

Tarde fresca, cabeça quente. Precisando respirar para poder pensar.  Assim foi naquela tarde de verão. O mundo estava pequeno demais para a enormidade das minhas indecisões. Quando dei por mim, estava em um banco de uma charmosa pracinha perto de casa.

Com olhos desanimados e apáticos observei uma criança se equilibrando e desequilibrando em cima de uma bicicletinha de rodinha. A mãe veio ajudar, proteger, amparar. Mas um dedinho gorducho sinalizou um não. E uma vozinha determinada de criança disse: Mamãe você já me segurou demais! Agora quero tentar sozinho. Não vou cair não, a rodinha não deixa.

Aquele curto diálogo tirou-me do transe da vida adulta por alguns minutos. Passei a observar aquele pequeno valente e o desafio de sua pequena vida. Pelo visto era a primeira prova de sobrevivência no cotidiano daquela jovem vida.

Durante dez minutos observei suas tentativas. Caindo para um lado e para o outro, aos poucos foi se equilibrando, quando dei por mim o pequeno Davi, dei-lhe esse apelido. Já andava de lá pra cá. Ereto, digno e feliz. Havia vencido o desafio imposto por sua bicicleta de rodinha.

A mãe veio aplaudindo o pequeno. Muito bem querido! Disse ela. Agora você já é um ciclista.

O pequeno virou para e mãe e disse: mamãe tira as rodinhas. A mãe surpresa tentou argumentar. Vamos esperar mais uns dias. Até você se acostumar a andar com as rodinhas. Ele determinado rebateu. Mas mãe... você não está vendo que já estou ótimo? Quero que a senhora tire as rodinhas. A contra gosto a mãe atendeu ao pedido do pequeno Davi. Tirou as rodinhas. E mais uma vez lá foi ele. Porém não seria nada fácil dessa vez.

Rindo eu observava  aquela cena. Misto de determinação, coragem e inocência. Até havia me esquecido o que me levara àquela praça. Voltei a observar o pequeno.

Ele caiu duas vezes, sendo que na segunda esfolou todo o joelho. Vi que ele chorava, pois o joelho sangrava. A mãe como sempre tentava fazê-lo mudar de idéia. Vamos voltar a colocar as rodinhas?
Determinado mais uma vez disse não!

Agora com mais atenção, eu nem piscava. Quero ver no que vai dar isso. De repente o danadinho saiu pedalando. Parecia que nasceu sabendo andar de bicicleta. Sem ver comecei a bater palmas. Parecia que era eu quem estava naquela bicicleta. Meio desconcertada, pelo entusiasmo exagerado levantei ajeitando a saia, e fui andando.

No caminho de casa pensei: Preciso tirar as rodinhas que escoram a minha vida. Já é hora de removê-las! Algumas já estão até gastas de tanto suportar o peso da indecisão.

Ao longe ouvi a mãe chamar: Wagner. Vamos embora. Está tarde!


Então esse é o nome do meu pequeno Davi? Wagner... Mas sempre me lembrarei dele como Davi!
Texto de Regina Márcia


A LIBERDADE de ir e vir é o que nos leva até o outro


Amigo(a)s do Jeitinho Mineiro estou aqui hoje para  compartilhar com vocês um comentário deixado em meu Blog, pela querida amiga Van. Antes eu não sabia se "Van" era um menino ou menina. Depois que ela fez uma entrevista no Blog da Gisele http://wwwgiseleloira.blogspot.com pude desvendar um pouco mais essa onda de mistério que envolve nossa querida amiga. Mas nem todo mistério foi desvendado, pois não sei de qual parte do Brasil nossa querida é, só sei que gosto demais de ir visitar seu blog, e recomendo, quem ainda não foi que vá! É um espaço que cheira à poesia. Para mim tem cheiro de chocolate. Amo chocolate e adoro poesia. Eu costumo dizer que poesia tem cheiro, o nosso cheiro preferido!.

 Hoje ela me surpreendeu mais uma vez, pois deixou um comentário onde explicava de forma simples e objetiva o motivo de nós mineiros falarmos assim... tudujuntiin. 

A história de nossa fala mansa e agarradinha foi um dos motivos por ter criado o meu blog. A essência  do Jeitinho Mineiro significa, "Liberdade ainda que tardia" esses são os dizeres escritos em latim em nossa bandeira, em meu texto "Minha Minas em Prosa e Verso" descrevo o nosso desejo de liberdade. E a Van inteligentemente e com uma enorme sensibilidade deixou um dos motivos que me levaram a escolher o nome de Jeitinho Mineiro. Este nome tem um significado em minha história de vida que vocês não fazem ideia. Mas isso é uma longa história, para um outro post. Voltemos a Van, estrela deste post. 

Oi Regina,


e sabe qual é a origem desta forma de falar dos mineiros, que reduz as palavras a uma sílaba só e as frases a uma única palavra?

Segundo estudiosos, deve-se à pressão sofrida pelos mineiros na época do ciclo do ouro, quando a coroa portuguesa colocava ouvidores nomeados ocultamente por ela, para manter relações de amizade com as pessoas e as famílias, frequentar suas casas e denunciar quem vivia com fartura, um possível sinal de que esta pessoa estava extraindo ilegalmente o ouro que diziam pertencer somente à coroa. para se defenderem das denúncias o povo usava o recurso de diminuir as palavras e emenda-las, na tentativa de não permitir que os portugueses entendessem o que falavam entre si.

Vem desta mesma situação de opressão e temor, o maior traço do temperamento dos mineiros: o ser reservado, desconfiado e quietinho. Um povo que viveu sob opressão e ameaça de condenação ou morte, nos primeiros tempos de sua organização, por serem habitantes da terra mais rica do país, só poderiam ser desconfiados e discretos, preservando-se sempre e fazendo mais do que falando. Comendo quietinho e escondendo o
queijo na gaveta pra ninguém saber com quantas posses viviam, por isso as mesas coloniais em Minas todas possuem gavetas, pra esconder o queijo quando a visita chegava, não propriamente por ser "pão-duro", mas pra salvar o pescoço. Ser rico em Minas na época da colônia era sempre um risco de ser acusado de roubo nas minas e literalmente "perder a cabeça" por isto.

E, por causa desta mesma opressão, nasceu em Minas o grito de liberdade que ecoou em todo o país e culminou com a independência nacional. 

A bandeira mineira nos conta sobre esta opressão e esta luta.

Ser mineiro é ser quietinho, é falar curtinho e, acima de tudo é ser livre.

Adorei o "mineirim cuzinhano". rsrsrs

Beijos! 

Van 

Van receba minha singela homenagem, pois, seu cometário foi para mim uma homenagem também! Quando o outro tem a sensibilidade em ler nas entrelinhas de nossa alma é uma dádiva de Deus e devemos agradecer. Estamos todos em um amplo processo de humanização. E esse processo só se desenvolve por meio das relações humanas.

Eu, Regina Márcia, Bisneta de ex - escrava, dona Maria da Conceição, a quem tive a oportunidade de conhecer em vida ainda, pois nos deixou com seus 110 anos, mas em tempo de relatar os sofrimentos vividos na senzala. E meu bisavô que não tive o privilégio de conhecer, pois morreu logo que a liberdade chegou. Não conseguiu conviver com ela. Dizem que ele não sabia para onde ir e nem o que fazer. Ficava na varando esperando... esperando... Acho que a morte chegar.

Eu nasci livre, cresci livre e vivo livre. E sei o quanto isso custou!  Sangue de brancos e negros foi derramado pelos caminhos da Estrada Real. Mas chegamos até aqui!

Jeitinho Mineiro. É mais que um jeitiin de falar...        

Van Bjos!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CONHEÇA MINAS: MUNICÍPIO DE QUARTEL GERAL

O "Conheça Minas" é um espaço no Jeitinho Mineiro destinado a apresentação das cidades mineiras. A cada 3 meses vou compartilhar com vocês uma cidade. É sabido que quando falamos em Minas Gerais a maioria das pessoas pensam logo nas cidades históricas, por serem elas protagonistas de grandes ações tanto no cenário cultural, histórico, político e econômico no período pré e pós colonial. E por existir também outros municípios de igual importância e não conhecido do grande publico. Abre-se aqui o "CONHEÇA MINAS".
  

Espero em cada edição apresentar a vocês, caros (a)s leitores (a)s, um pequeno pedaço da minha "Terra Minas" com suas qualidades, e também suas dificuldades. 


O Estado de Minas Gerais é composto por 853 municípios. O Estado é rico em diversidade cultural, grandes reservas ambientais com cachoeiras cristalinas, na industria, destaca-se enquanto um celeiro de grandes empresas nacionais e multinacionais, mas também apresenta em algumas regiões grandes desigualdades sociais. São muitos municípios com arrecadações muito baixas. A distância territorial também é um dos fatores que dificulta o desenvolvimento de algumas regiões. O município escolhido tem dois destes problemas: Grande extensão territorial e baixa arrecadação, mas nada disso tem impedido seu crescimento. 

Inicio a primeira edição com o Município de Quartel Geral que se encontra a 210 km, a oeste de Belo Horizonte, entre Abaeté e Dores do Indaiá. 


Caros Quartelenses recebam a homenagem dessa mineira roxa, que sou. Espero que consiga mostrar um pouco sobre essa linda cidade e desde já me desculpo por qualquer falha de informação que por ventura venha ocorrer.


História do Município

No século XVIII, em 1749 essa região era foco da extração de diamantes no rio Indaiá e seus afluentes. Em 1782 a Coroa Portuguesa recebeu denúncias de extração clandestina de diamantes na região. Foram enviadas, então, tropas de Vila Rica com o objetivo de inibir a extração clandestina, e também , fiscalizar as extrações futuras, com a incumbência também de construir vários quartéis por toda a região. Cada quartel ganhou um nome. Nomes estes mantidos até hoje. Um desses quartéis recebeu o nome de Quartel Geral, em virtude de sua localização geográfica estratégica (hoje nome da cidade), tornou-se um caminho oficial da coroa portuguesa realizando a circulação dos diamantes, das pessoas e de mercadorias.

Curiosidade do Município


Quartel Geral abrigou em uma de suas fazendas, Eugênia Joaquina da Silva e seu Filho João Almeida Beltrão, fruto de um relacionamento amoroso com Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Fugindo de retaliações, em virtude das ações políticas de Tirantes e o desfecho que culminou em seu enforcamento, mãe e filho firmaram residência de forma discreta em Quartel Geral. Eugênia com seu instinto materno e protetor preservou assim, a descendência do Inconfidente.  Saiba mais sobre essa história acessando http://quartelgeral.net/?pg=noticia&id=632


Atualidade
Três séculos depois com 3.325 habitantes e 57 anos de emancipação, a cidade passa por enormes transformações estruturais, mas nunca esquecendo suas origens, cidade de povo hospitaleiro e gentil. Quartel Geral hoje desponta aqui em Minas, não só pela sua importância histórica e por ter sido o berço dos diamantes,destaca-se hoje na política. O município dá exemplo de como fazer uma política com transparência e competência. A cidade mostra para os demais municípios, que mesmo com pequena arrecadação é possível administrar e conciliar progresso com qualidade de vida para todos. Destaco aqui a política local, pois seria injusto de minha parte, não faze-lo, quando é para criticar, vocês leitores sabem que o faço sem reservas rsrsrsrsrs. Mas também sei reconhecer quando a boa política está sendo realizada. O sucesso político de Quartel Geral é mérito único e exclusivo de sua gente, que soube confirmar seu desejo muito bem na tecla "VERDE". Essa é minha gente mineira que sabe de onde veio e para onde vai. E acima de tudo, sabem o que é melhor para si e para os outros. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um dos melhores do Estado, estando à frente de grandes e importantes cidades daqui. 

 Em 26 de junho de 2007 a equipe de Jô Soares esteve no Município atraídos pelo nome exótico que a cidade tem "Quartel Geral". No vídeo aparece relatos da comunidade local, seus "causos" e as belezas naturais da cidade. Vale a pena assistir, embora a cidade tenha mudado muito de lá pra cá. Mas a essência da comunidade está presente em cada segundo do vídeo e suas belezas naturais também. 


Como todas as nossas cidades mineiras, Quartel Geral preserva as tradições culturais e religiosas. Em variadas datas do ano muitas cidades realizam suas comemorações e em QG não é diferente.


Festa do Rosário
Os Tropeiros passaram a existir no Brasil desde o período colonial, o transporte no interior do continente era feito por muares, e uma diminuta frota de carros de bois, que eram responsáveis para transportarem pessoas e materiais do litoral para os sertões e dos sertões para o litoral.







Tradicional Festa do Divino Espírito Santo no Município de Quartel Geral 
Turismo

Quartel Geral faz parte do circuito turístico caminhos do Indaiá. Para conhecer um pouco da cidade é só entrar no link '''nossa cidade'' e saber dos aspectos que por meio da história fizeram de Quartel Geral uma cidade tão especial e peculiar para os mineiros.  Para quem gosta de esportes radicais, os trilheiros, jipeiros e de cachoeiras, Quartel Geral pode proporcionar muitas aventuras.

Cartão postal da cidade. Localizada logo na entrada do Município.
Estudantes fazem mutirão para coleta de lixo nas margens da lagoa de Quartel Geral, de tempo em tempo. Uma forma de preservar a lagoa e educar as gerações futuras. 














Quartel Geral e seu projeto de infraestrutura. 
Melhorar para a população e visitantes. O plano diretor do município tem como prioridade implementar uma política de crescimento bilateral, desenvolvimento x distribuição de renda. Segundo a atual gestão, não se pode falar de desenvolvimento e progresso olhando só para um lado. A cidade precisa crescer, gerar emprego e renda. Mas devemos ter cuidado para que não cresçamos de cima para baixo. Essa é a preocupação que norteia a gestão democrática de crescimento da cidade. 



Projeto Municipal: Reforma de residências com risco de desabamento para pessoas de baixa renda.











Projeto casas populares: Imagem aérea do Conjunto Habitacional ANA FERREIRA DA COSTA, com as 30 (trinta) unidades residenciais em fase final de acabamento. Inauguração prevista para maio próximo. Infra-estrutura completa: ruas já calçadas, com esgoto, rede de água e rede elétrica, essa última sendo iniciada, com término juntamente com a entrega das casas aos seus futuros moradores.

Projeto de calçamento e asfaltamento: Facilitando o acesso dos moradores locais. Quartel Geral é uma região rural, assim sendo, torna-se necessário melhorar as estradas. Na época de chuva torna-se impossível o trânsito de carroças, bicicletas, motos. Transporte normal na região, aliás, transporte característico de muitas cidades do interior de MG.

Reforma completa da Escola Adair de Oliveira Pinto. Antigo desejo da comunidade. 
Início das obras de Construção do novo Ginásio Poliesportivo do Município no bairro Novo Quartel. A cidade é carente  de espaços esportivos para a juventude, por isso a importância social e educacional dessa obra.
Creche Proinfância com capacidade para 120 crianças em período integral. Inauguração prevista para abril. Segundo a administração essa é a joia de Quartel Geral. Irá abrigar todas as crianças do Município. Resolvendo a deficiência existente na procura e na oferta de educação infantil. 
Equipe de Limpeza Urbana. Uniformizados. O município está implantando a cultura: Trabalhe com segurança! Em muitas regiões mineiras tanto a população quanto os dirigentes ainda acham segurança no trabalho mero detalhe.  
A descoberta da jazida de gás na região vai transformar muito a vida da população. Gerando emprego e renda. Com isso aumentando a arrecadação. O município tem empenhado grandes esforços para a viabilidade desse empreendimento. E que aconteça em harmonia com a natureza.



Prefeito de Quartel Geral - Apenas um mineiro e um desejo! Ele conquistou o direito de ter seu trabalho reconhecido. E o Jeitinho Mineiro tem o prazer  e o compromisso de mostrar as coisas de Minas!  Sejam boas ou sejam ruins.  Democracia é isso!

Nascido em Quartel Geral, formou-se em Direito e posteriormente, por meio de concurso público, se tornou Defensor Público do estado de Minas Gerais. O que lhe conferiu maior percepção para as necessidades da população, principalmente, a mais carente.
Gaspar Carlos Filho, mais conhecido por Badaró, possui vasta experiência na administração pública, trabalhando na Prefeitura de Quartel Geral.


Agora, como prefeito está construindo um município com capacidade para gerar renda, impulsionando jovens para os estudos, inclusive o ensino superior, edificando projetos primordiais para a cidade, modificando estruturas arcaicas e infrutiferas, criando melhores condições de trabalho na zona rural, bem como na cidade.


Infelizmente nem tudo deu para ser postado mas, convido-os a entrarem no site http://quartelgeral.net/para conhecer melhor a cidade em seus aspectos: saúde, educação, valorização profissional, capacitação humana, moradia e saneamento básico entre outros. A cidade tem problemas como qualquer outra. Mas está caminhando com dignidade e sem escândalos! Construindo o seu muro. Um tijolo de cada vez!


Espero que tenham gostado de conhecer esse pedacinho de Minas. Até o próximo Post "Conheça Minas".


Óia,
Ocês vindo prasbandadecá, passe pra tomar um cafeziiin cumpão de queijo quentiin.


Ou mió, pra quem gostá! Uma pinguinha da boa há de incontrá! 


Especialidade da região, CACHAÇA ARTESANAL. Trem bãodimaisdaconta uaí!













DESAFIO MINEIRO. QUE TENTÁ? ÓIA QUE NUMÉFACE NÃO!




IMAGEM DE ROGÉRIO LEAL
Luiziânia Goiás

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Uma das mais belas vozes negras da americana nos disse a Deus!

"Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio. 


Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta."  Caio Fernando Abreu


A cantora Whitney Houston morreu aos 48 anos neste sábado (11). Ela foi considerada a “rainha da música pop” durante anos, mas sua vida foi destruída pelo uso de drogas. A polícia de Beverly Hills já iniciou uma investigação do caso, mas até agora as causas não foram reveladas.


Bela e talentosa mulher. Assim é que eu, Regina Márcia, quero me lembrar de você...


Os 101 amigos do Jeitinho Mineiro. Todo Blog tem uma história para contar!

Hoje é um dia muito especial, o Jeitinho Mineiro comemora seus 101 amigos. Quando criei o Blog não pensava no aspecto seguidores, só queria um espaço onde pudesse expressar minhas ideias. Mas pouco a pouco foram chegando, chegando... Quando vi já eram 20, 50  e fui acompanhando os trabalhos dessas pessoas. Uma a uma fui visitando deixando mensagens, enfim aprendendo com elas. Sem que  percebesse elas deixaram de ser seguidoras e passaram a ser amigo(a)s. Entendi que não há muita diferença entre o virtual e o real. Pude confirmar também, a força que existe nas palavras, pois fiz 101 amigos lendo suas ideias, compartilhando sentimentos e opiniões. E assim, fui construindo uma rede de relacionamentos. É verdade que não dá para visitar todos num mesmo dia, por isso visito-os aos poucos. 

A primeira vez que tive contato com um blog foi por intermédio de um amigo Wagner Eustáquio, o REALISTA, http://colunawagnereustaquio.blogspot.com/. Nos conhecemos a muitos anos no mundo real e um dia ele me convidou para escrever em sua coluna. Aceitei. Publico em seu blog até hoje, todas as quintas-feiras. A partir daí passei a entender mais sobre esse universo blogueiro, conheci outros blogs e mantive contato com eles. 

Passei a visitar o Blog http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com/ e fiz amizade com Elaine, a AMOROSA, depois conheci o Nilton Silveira, o ADMIRÁVEL,  e seu http://penseoamanha.blogspot.com/ , depois veio Ricardo Cury, o Generoso  http://riclops.blogspot.com/, sempre compartilhando conhecimento com todos. E finalmente conheci Carlos Damião, o LUTADOR  http://livrevozdopovo.blogspot.com/, sempre defendendo os mais frágeis.

Um certo dia meu amigo Wagner Eustáquio sugeriu: Regina Márcia porque você não cria um blog? Ri na hora achando a ideia loucura. Mas ele não parou de me fazer essa pergunta toda vez em que nos víamos. A ideia amadureceu. Elaine também encorajou bastante. Então nasceu o Jeitinho Mineiro. Desde então recebi e recebo um apoio incondicional dos cinco amigos citados a cima. 


Amigos... pessoas queridas!!!


Amigo é quem te dá um pedacinho de chão, 

quando é de terra firme que precisas, 

ou um pedacinho do céu, 

se é o sonho que te faz falta.

Amigo é mais que um ombro amigo,
é mão estendida, mente aberta, coração pulsante.
É aquele que entende teu desejo de voar, de sumir devagar...
É o sol que seca tuas lágrimas,
é a polpa que adocica ainda mais o teu sorriso.

Amigo é aquele que te ouve ao telefone,
mesmo quando a ligação é caótica,
com o mesmo prazer e atenção que teria
se estivesse olhando em teus olhos.

Amigo é multimídia.
Amigo é quem fala e ouve com o olhar, 
mesmo distante, em sintonia telepática.

É lua nova, é a estrela mais brilhante,
é luz que se renova a cada instante,
com múltiplas e inesperadas cores
que cabem todas na tua íris.

Amigo é aquele que diz "eu te amo"
sem qualquer medo de má interpretação: 
amigo é quem te ama "e pronto".

É verdade e razão, sonho e sentimento.
Amigo é para sempre, mesmo que o
sempre não exista...



de Tariane Ribeiro Pompeu

Conceição do Tocantins - TO - por correio eletrônico

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Mais um Avanço da Lei Maria da Penha

Por 10 votos a 1, o plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quinta-feira (9) que, a partir de agora, o Ministério Público pode denunciar o agressor nos casos de violência doméstica contra a mulher, mesmo que a mulher não apresente queixa contra quem a agrediu.
A Lei Maria da Penha protege mulheres contra a violência doméstica e torna mais rigorosa a punição aos agressores. De acordo com norma original, sancionada em 2006, o agressor só era processado se a mulher agredida fizesse uma queixa formal.
Até a decisão desta quinta, a Lei Maria da Penha permitia inclusive que a queixa feita pela mulher agredida fosse retirada. A partir de agora, o Ministério Público pode abrir a ação após a apresentação da queixa, o que garante sua continuidade.



Lei Maria da Penha tem mais condições agora de proteger suas Marias, Joanas, Reginas, Márcias, Jussaras, Julianas... O nome pouco importa! O que importa na verdade é que somos uma única mulher em corpos de muitas. Se uma é agredida, agride todas nós. 
Uma Por todas e Todas por uma!
E  QUE SE CUMPRA A LEI!