segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Bicicleta de Rodinha.




Pensando num amigo querido resolvi republicar esse texto. Afinal o escrevi para ele... Saudades desse meu amigo...

Tarde fresca, cabeça quente. Precisando respirar para poder pensar.  Assim foi naquela tarde de verão. O mundo estava pequeno demais para a enormidade das minhas indecisões. Quando dei por mim, estava em um banco de uma charmosa pracinha perto de casa.

Com olhos desanimados e apáticos observei uma criança se equilibrando e desequilibrando em cima de uma bicicletinha de rodinha. A mãe veio ajudar, proteger, amparar. Mas um dedinho gorducho sinalizou um não. E uma vozinha determinada de criança disse: Mamãe você já me segurou demais! Agora quero tentar sozinho. Não vou cair não, a rodinha não deixa.

Aquele curto diálogo tirou-me do transe da vida adulta por alguns minutos. Passei a observar aquele pequeno valente e o desafio de sua pequena vida. Pelo visto era a primeira prova de sobrevivência no cotidiano daquela jovem vida.

Durante dez minutos observei suas tentativas. Caindo para um lado e para o outro, aos poucos foi se equilibrando, quando dei por mim o pequeno Davi, dei-lhe esse apelido. Já andava de lá pra cá. Ereto, digno e feliz. Havia vencido o desafio imposto por sua bicicleta de rodinha.

A mãe veio aplaudindo o pequeno. Muito bem querido! Disse ela. Agora você já é um ciclista.

O pequeno virou para e mãe e disse: mamãe tira as rodinhas. A mãe surpresa tentou argumentar. Vamos esperar mais uns dias. Até você se acostumar a andar com as rodinhas. Ele determinado rebateu. Mas mãe... você não está vendo que já estou ótimo? Quero que a senhora tire as rodinhas. A contra gosto a mãe atendeu ao pedido do pequeno Davi. Tirou as rodinhas. E mais uma vez lá foi ele. Porém não seria nada fácil dessa vez.

Rindo eu observava  aquela cena. Misto de determinação, coragem e inocência. Até havia me esquecido o que me levara àquela praça. Voltei a observar o pequeno.

Ele caiu duas vezes, sendo que na segunda esfolou todo o joelho. Vi que ele chorava, pois o joelho sangrava. A mãe como sempre tentava fazê-lo mudar de idéia. Vamos voltar a colocar as rodinhas?
Determinado mais uma vez disse não!

Agora com mais atenção, eu nem piscava. Quero ver no que vai dar isso. De repente o danadinho saiu pedalando. Parecia que nasceu sabendo andar de bicicleta. Sem ver comecei a bater palmas. Parecia que era eu quem estava naquela bicicleta. Meio desconcertada, pelo entusiasmo exagerado levantei ajeitando a saia, e fui andando.

No caminho de casa pensei: Preciso tirar as rodinhas que escoram a minha vida. Já é hora de removê-las! Algumas já estão até gastas de tanto suportar o peso da indecisão.

Ao longe ouvi a mãe chamar: Wagner. Vamos embora. Está tarde!


Então esse é o nome do meu pequeno Davi? Wagner... Mas sempre me lembrarei dele como Davi!
Texto de Regina Márcia


domingo, 8 de julho de 2012

Definição de ESNOBE

Um aluno perguntou ao seu professor:
____ Professor o que é um esnobe?
____ É aquela pessoa que foi educada além de sua inteligência ____ respondeu o mestre.


Crônicas e Histórias bem HuMURADas. José Elias Murad, Mineiro, Médico, professor, químico farmacêutico e jornalista. Idealizador da Associação Brasileira Comunitária para prevenção do Abuso de Drogas - ABRAÇO.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

O Crack que não é de futebol.

Minas Gerais e seus Planos de combate ao CRACK. O mal do século. 
Um problema que não é de Governo e sim de toda a sociedade brasileira. 
Como podemos contribuir? O que eu, pequenina pessoa posso estar fazendo?


sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Menestrel ( Shakespeare)




Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.


E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.




Hei,  Você que me visita. Não tenha medo de tentar. Vamos juntos! Abra a janela do seu sorriso e as portas do seu coração. Vamos com jeitiiin bem devegariin. Bem dimansiin... 

sábado, 7 de abril de 2012

Eu quero viver essa Páscoa até depois do Natal.



 Quero uma páscoa diferente.
Uma páscoa de risos e com gosto do chocolate, do mais puro cacau, que sempre brota em abundância em nossa doce terra.


Uma páscoa que me de um olhar atento e solidário às angustias do outro.


Uma páscoa com menos preconceitos meus e mais respeito partindo de mim para com relação às minhas coisas e às alheias.


Uma Páscoa com menos calor dos desejos ardentes da paixão, e com mais serenidade e solenidade do incansável amor.


Quero comemorar com cuidado e delicadeza as boas novas que se renovam no relógio do tempo. Eu sei que o tempo é rápido, mas desejo calma na delicadeza dos sentimentos.

Quero uma páscoa de abraço quente, desinteressado. Que esse abraço seja capaz de colar os cacos dos desencontros e das desilusões da vida.

Quero ser o lenço que enxuga às lágrimas tristes do meu amigo e as minhas. E porque não as dos desconhecidos também!?

Quero ter tempo para doar meu tempo ou até mesmo um pedaço de pão. Para um corpo ou para alguma alma desfalecida. Mesmo que esse corpo seja o meu e a alma suplicante a minha!

Quero ser fonte corrente de água viva e não um atoleiro alagando as vielas da amargura tanto minhas quanto dos outros.

Quero a persistência de procurar a Paz, e não a preguiça da guerra;

Quero mais a passagem iluminada do caminho estreito, e menos as gargalhadas sombrias dos caminhos largos;

Quero ser mais com menos. Quero não só nesse domingo de Páscoa.
Quero todo dia! Ao me levantar e ao me deitar!

Meus Deus, eu quero! Quero ser um ser humano melhor. Amar o meu próximo como a mim mesma. Que eu não trate meu próximo como um sujeito indeterminado.

Ajuda-me Senhor! Ajuda-me Senhor!

Preciso querer ser melhor!

Ajuda-me viver essa Páscoa até o Natal e também depois dele.
Que o espírito de Páscoa seja todos os dias em mim. E o mais importante... Que eu me lembre disso!

Amém!
Desejo a todo(a)s amigo(a)s uma Feliz Páscoa!

Texto de Regina Márcia

sábado, 31 de março de 2012

Amor é fogo que arde sem se ver ...

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor? 

de Luís Vaz de Camões

Assim é o amor...
extensão do que  há de melhor em nós
é o membro de sustentação de nosso corpo decadente
é a consciência consciente de nossa mente inconsequente
é o grande lapidador das ações de bondade existentes em nós.
O Amor não é um sentimento, mas sim um mandamento.
Mandamento que desejamos cumprir, pois dele depende nossa existência. 
 Regina Márcia

sábado, 24 de março de 2012

Por entre montanhas. Uma mulher a frente da Direção da ABRAÇO. Mônica Miranda.

Caros leitores vocês já me conhecem tempo suficiente, para saberem que eu não seria  eu, se não abordasse todo e qualquer assunto, primeiro de forma subjetiva. Vocês sabem o quanto gosto de descrever a objetividade lançando mão de todas as subjetividades que povoam o mundo. rsrsrsrsrs Não consigo escrever se não for com a pele. Tenho estado sumida nos últimos tempo, peço desculpas, mas é por uma boa causa. Vocês hão de concordar comigo. O meu sumiço começa assim...
Por entre montanhas uma lágrima cai e vem escorrendo lentamente...
Por entre montanhas ecoa um soluço, de som desafinado e incansável, que espeta o coração de toda gente.
Por entre montanhas dói no peito um sentimento de abandono e um caso que parece ser sem dono.
Por entre montanhas de pés no chão, de salto alto, de carro ou a cavalo vejo vir vindo aos montes...
Por entre montanhas  um vulto angustiado a bailar um triste traçado.
Por entre montanhas, bem pertinho de nossas casas. 
Vejo!
Por entre montanhas um olhar embaçado, num corpo cansado a procura de chão.
Quem são esses que por entre montanhas entoam a triste canção de doídos ais?
Por entre montanhas, esses são os gemidos de quem pouco a pouco perde um alguém... ou se perde de alguém. 
Por entre montanhas escondidas estão as drogas, mas lá está também o raiar de um novo dia. 
Texto de Regina Márcia


ABRAÇO: Associação Brasileira Comunitária para a Prevenção do Abuso de Drogas. Há 26 anos amenizando, ajudando, tratando e prevenindo contra o Uso e Abuso de drogas, no Estado de Minas Gerais. 

Em um abraço solidário e consciente, nos reunimos em torno dessa montanha, na última segunda – feira dia 19 de março, Mônica Miranda, jornalista da Rádio Itatiaia, com mais de 30 anos de serviços prestados a sociedade mineira. Assumiu a presidência da ABRAÇO. Segundo ela, só vamos conseguir vencer a violência se direcionarmos todos os nossos esforços no combate ao uso de drogas estreitando, assim, a porta que tem levado crianças,jovens e adultos a se tornarem usuários de drogas. Ela acredita que a prevenção começa com os pequenos, lá na base. Desde os primeiros cinco anos de vida a criança tem que ser educada para dizer não às drogas.
Com isso espera poder contar com o apoio de toda a sociedade e faz um chamado: Vamos popularizar essa discussão e também elaborar estratégias de ações eficientes e pontuais. 

Vencer as drogas não é batalha de um homem só!            Ou melhor, de uma só Mulher!

Minas contra as drogas. Está formada a grande rede: Governo, municípios, o legislativo, judiciário, sociedade civil organizada e muitos outros. Que venham todos! Vamos juntos costurar essa grande colcha de retalhos.
Bem vinda presidenta com a força das Marias Marias.


Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida....



Que Deus nos abençoe a todos para realizarmos o bom combate 
Fotos do Evento


Eu e Monica Miranda

Nova Presidenta da ABRAÇO!
O Secretário antidrogas Cloves Benevides muito se empenhou para a realização deste importante evento. Ele que está a frente das grandes discussões e na elaboração de estratégias de prevenção, tratamento combate ao uso/abuso de drogas em nosso Estado. Essa rede de enfrentamento fez mais um gol ontem contra as drogas. Todos nós mineiros agradecemos. 

                                     
Darley Antônio Soares(Gestor público),
eu e Maria Rita Esposa do senhor Cloves Benevides. 
Eu, Tamara Souza (Funcionária da Subsecretaria Antidrogas) e Maria Rita.
                           

Erika Gleise (Gestora Pública de MG)
Luciene Dalles Dalles
Técnica de Rede e Sistemas
da CEMIG
Discurso de Posse do Governador
Antônio Anastasia. 
                    

Wagner Eustáquio
Organizador do evento
Gestor Público e Assessor da nova diretoria.
                   


 Maria Rita, Luciana Purysco (Psicológa da Abraço),
eu e Eliane Lopes Costa (Publicitária)

Jornalista Eduardo Costa, Prof Elias Murad (Grande Mestre e criador da ABRAÇO) e Mônica Miranda. 
Governador de Minas Gerais
Antônio Anastasia. Márcio Lacerda Prefeito de BH
 e Elias Murad Filho
Mônica Miranda - Discurso de Posse








domingo, 18 de março de 2012

O dia chegou?

Em 1972 Chico Buarque cantava uma melodia que dizia assim: "Amanhã vai ser outro dia..."


É... este dia chegou! Agora precisamos saber o que vamos fazer com ele...


O que deveríamos saber sobre as FLORES, já nos foi dito. E agora?

Caminhando e cantando e seguindo a canção... Vem vamos embora...


"Amanhã há de ser outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia."



Aconteça o que acontecer, teremos um novo dia sempre. Estamos predestinados a ter novos dias!


"... Lá vem o sol..."  
Lulu Santos.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Ser Mineiro - Carlos Drummond de Andrade

Ser Mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer,
é fingir que não sabe aquilo que sabe,
é falar pouco e escutar muito,
é passar por bobo e ser inteligente,
é vender queijos e possuir bancos.

Um bom Mineiro não laça boi com imbira,
não dá rasteira no vento,
não pisa no escuro,
não anda no molhado,
não estica conversa com estranho,
só acredita na fumaça quando vê o fogo,
só arrisca quando tem certeza,
não troca um pássaro na mão por dois voando.

Ser Mineiro é dizer "uai", é ser diferente,
é ter marca registrada,
é ter história.
Ser Mineiro é ter simplicidade e pureza,
humildade e modéstia,
coragem e bravura,
fidalguia e elegância.

Ser Mineiro é ver o nascer do Sol
e o brilhar da Lua,
é ouvir o canto dos pássaros
e o mugir do gado,
é sentir o despertar do tempo
e o amanhecer da vida.

Ser Mineiro é ser religioso e conservador,
é cultivar as letras e artes,
é ser poeta e literato,
é gostar de política e amar a liberdade,
é viver nas montanhas,
é ter vida interior,
é ser gente.

Carlos Drummond, permita-me completar? Ser mineiro é ser montanha. Ser diamante e também saber ser carvão.
Regina Márcia

domingo, 4 de março de 2012

Homenagem que Carlos nos faz!

Meu amigo Carlos do Blog Voz do Povo sensível como sempre homenageia a nós mulheres pelo dia Internacional da Mulher. 
Melhor do que escrevermos sobre nós mesma, é ter um homem escrevendo para nós e sobre nós. Fica aqui meu agradecimento por tão gentil e sensível gesto. Confiram Feliz Dia Internacional da Mulher no Livre Voz do Povo. Muito Lindo!

Quando forem lá, levem uma rosa simbólica ao nosso amigo. Acredito que ele vai gostar.

Obrigada amigo pela homenagem!


sexta-feira, 2 de março de 2012

Tem um homem me olhando da fechadura da porta



Intimidade para mim é às vezes está só, mas não tão só... Quem sabe na companhia do vento, do tempo, de um mosquito solitário ou até mesmo, acompanhada de um pernilongo solidário.

Mas não, naquele momento estava completamente só, sem o vento para consolar meu desalento, nem mesmo o tempo marcava meu passa tempo; passando o tempo do tempo do meu pensamento.

Fim do dia... Sem o tempo para marcar o meu passa tempo, fechei a porta do quarto já me despindo devagar... Abrindo um botão, depois outro da minha blusa de borboleta, louca já querendo voar, com pressa se pôs a escorregar... — de súbito puxei-a — pois senti profundos olhos a me espreitar, ávidos por me tocar, olhei ao redor, mas nada vi. Olhar mais atento percebi: TEM UM HOMEM ME OLHANDO... DA FECHADURA DA PORTA... Sussurrei.

Silencioso, não era um garoto; mas era maroto, de alma leve, caminho simples, sorriso quente e mãos ardentes. Que olhos são esses que me abraçam sem eu o querer, me acalentam, envolvendo-me como morna brisa, pouco-a-pouco adormecem meus sentidos. Faltam-me às palavras, elas sempre me faltam quando não convém.

Oh! Mulher despudorada, porque não fechas a fechadura de tua porta com as pontas dos dedos? Pensei eu com minha consciência racional transbordante de “LÓGICA”. Pensei... LÓGICA, LÓGICA, LÓGICA mulher! É! É assim que tem que ser. LÓGICA. Mas não o fiz!

Pensei de novo. É... Podia fazer isso, mas não fiz, não quis.

Continuei a me despir. Devagar sem pudor e desprovida de dor. Desprovida de dor? Mas até bem pouco tempo o meu peito não sangrava, como se  houvesse sido cortado a faca? O que aconteceu? A dor não espeta e o peito não aperta? Isso não é LÓGICO! Acho que foram os olhos do HOMEM ME OLHANDO DA FECHADURA DA PORTA... Seus olhares me foram bálsamo.... O simples me foi precioso e poderoso.

Mesmo assim tenho medo.

Porque o medo, se não tens pudor? Lembra-me mais uma vez, minha malvada CONSCIÊNCIA acompanhada de sua irmã, a indispensável RAZÃO e de sua prima à irritante LÓGICA.

Calem-se vocês todas! O fato é que TEM UM HOMEM ME OLHANDO DA FECHADURA DA PORTA. Não me importo que ele me veja nua e muito menos que eu seja sua. O que me preocupa são se seus olhos pousarem em minhas marcas, meus muros, minhas armas e algumas amarras que deixei... Para lembrar-me.... Proteger-me...

O quê que há, ó CONSCIÊNCIA pertubadora? Porque me importunas se não é a minha falta de pudor que me incomoda? Quer saber o que pertuba o meu sossego?
 ...TER UM HOMEM ME OLHANDO NA FECHADURA DA PORTA DA MINHA ALMA. Isso sim é preocupante, por isso o pronunciar sussurrante.

Simples... A porta não é a do meu quarto.
Ingenuamente simples e infantilmente complicado...


Rabiscos, simplesmente rabiscos de “Suspiros de uma mulher.”
De: Regina Márcia.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Escola que um dia conheci não existe mais.


Em meus tempos de menina aqui mesmo em Belo Horizonte, escola era um lugar bom e importante.
Vestia meu uniforme velhinho mais limpinho, mesmo assim, ele parecia um vestido de baile. Minha mãe sempre falava: Nada de chegar suja na escola! Eu era terrível! subia em árvores e tocava campainha nas casas.Tudo isso a caminho da escola. Devo confessar que não chegava lá tão limpinha como minha mãe queria. Subia o morro brincado e rindo como uma boba, eu e mais algumas outras.
Já no imenso portão, olhávamos atentamente a imponente construção.
Mais um dia de atenção, concentração, recreio, colorir, brincar de pique esconde, leituras e aprender os fatos. Respirava fundo e entrava. Pelos corredores podíamos sentir o cheiro da merenda sendo feita lá na cantina. Doces lembranças da minha escola em meu tempo de criança.

Hoje passo na porta de minha antiga escola e não vejo mais aquela de outrora.

Suas janelas hoje existem grades e toda pichada está por fora

Há muito as escolas publicas de Belo Horizonte e Região Metropolitana perderam o seu brilho, seus prédios são invadidos destruídos e queimados. Os noticiários locais sempre noticiam fatos como estes. Estão virando rotina.

A população e funcionários tem ido às ruas em manifestação pedindo proteção e a preservação desses espaços. Hoje mesmo teve um. E não importa se hoje virar amanhã, pois vai parecer assunto fresco do dia. As depredações já viraram uma dolorosa constância. Nesses atos hediondos quase nunca encontram os culpados. Não os acham. No dia seguinte só as cinzas são vistas.

Na maioria das vezes os responsáveis por tais atos estão escondidos na própria comunidade no entorno da escola, e raramente não são menores, ex- alunos. Eles não voltam para visitar a escola com saudades. Mas aparecem na calada da noite, nas pontas dos pés pulando os muros. Já lá dentro fazem e acontecem. No dia seguinte funcionários e alunos desanimados contabilizam os estragos.
As escolas são carentes de vigias noturnos, hoje substituídos por alarmes. Alarmes que não tem impedido as ações de vandalismo. Os alarmes poupam o estado de encargos trabalhistas. Alarmes não recebem salários. Mas existem aquelas que nem alarmes tem! Menos encargos ainda.

Será que os professores depois de cumprir seu horário e muitos com jornada tripla terão também que passar à noite na escola, para protegê-la de ser destruída e queimada? Isso também será mais uma função agregada às suas responsabilidades no futuro?

Prefeituras e Governo estão protelando em tratar o caso como ele merece ser tratado. Já não é mais caso de polícia e sim de política publica de prevenção. E não me venham falar que o povo votou mal, não é possível que na bacia só tinha joio. Nesse caso não se aplica mais o voto, e sim responsabilidade e vontade política por parte do poder publico. Nem o mínimo é mais possível fazer?
Vejo comissões sendo criadas para tratarem da construção e termino dos estádios de futebol, comissão para reestruturação da cidade para receber a copa, comissão para consertar o buraco do tatu! Que tal criar uma comissão para não mais discutir sobre o assunto da insegurança, e sim para resolver o problema?

Penso que em pouco tempo nossas crianças estarão estudando em praça publica, pois irão chegar um dia e descobrir que a escola não se encontra mais lá. Foi demolida, os vândalos não conseguindo carregá-la demoliram tudo.
Aqui em BH está assim, o que não carregam queimam! Ou só queimam, pelo simples prazer de destruir.


Meus rabiscos podem até não ajudar muito, mas o registro desses fatos é importante. Acredito que a situação deva ser mostrada alcançando outros setores da sociedade, para que alguma coisa comece a ser feita. A escola publica é um patrimônio de responsabilidade de todos. E até agora pais e escolas tem sido um dueto solitário no deserto.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

E quando nos faltam coragem pra dizer as coisas?

Lendo um texto no Blog Livre Voz do povo, "O não de Eloá" lembrei de uma passagem inicial do livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas", onde meu velho Brás só teve coragem de dizer os seus nãos e mais algumas coisas, que o mesmo achava serem suas verdades, infelizmente, só depois de morto.  Fiquei matutando mineiramente com meus botões as palavras de Brás ou melhor de Assis. Ah! Tanto faz o nome. Pois Brás Machado e Assis Cubas são a mesma pessoa. 
Vocês devem estranhar nossa intimidade, ou melhor, o meu atrevimento de querer ser intima dele. Mas,  Machado foi o meu amor ao primeiro livro. Muitas coisas ele me jogou na cara, pela boca de personagens vivos e neste caso, bate-me à  face pela boca de um morto. 


Desejaria ter a mesma coragem em vida. Mas hoje quem as tem?
Toda vez que leio essa passagem, fico com a nítida sensação que meu amado imortal está por jogar-me na cara verdades que não quero admitir. Posso até ouvir sua cínica, implacável e aveludada voz.
...Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, a força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! que desabafo! que liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso as lantejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há platéia. O olhar da opinião, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo que pisamos o território da morte; não digo que ele se não estenda para cá, e nos não examine e julgue; mas a nós é que não se nos dá do exame nem do julgamento. Senhores vivos, não há nada tão incomensurável como o desdém dos finados....  

 Memórias póstumas de Brás Cubas
 Continuo pensando no NÃO DE ELOÁ...  



sábado, 25 de fevereiro de 2012

Cidadania Mais ou menos. Assim eu não quero!


A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com o gosto médio.
Ariano Suassuna.

 Concordar com uma política mais ou menos. É continuar assim... Vivendo na mediocridade de uma cidadania empobrecida. 

Sejamos como as crianças, que constroem suas ações todos os dias, de acordo com suas necessidades verdadeiras.

Não quero uma cidadania mais ou menos... Quero-a toda! Tenho pressa! Temos urgência! Pois o mundo não acabou e nem vai!

Meditando nas palavras de Ariano Suassuna fui pouco a pouco sendo invadia por um desconforto interior, fazendo-me lembrar de uma música que diz assim... “a minha alma está armada e apontada para a cara do sossego...” Rapa.

Quem em sã consciência começaria uma guerra contra o sossego? Quem não busca o sossego com todas as forças do ser? Desde que a humanidade existe, ela procura o sossego desesperadamente.
Mas não quero o sossego comercializado. Aquele que aparece na TV.

Quero o sosseguiin, aquele da rocinha, da cidade segura e tranqüila. Aquele que plantando dá! Dá de tudo! Dignidade, respeito e consciência.
Esse sossego é que é um trembãodimaisdacontasô!

Cidadania mais ou menos não nos serve mais! O mundo precisa de mais!

Regina Márcia




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Carpe Diem Tutankamon


Literalmente, esta frase significa « Colhe o dia presente e sê o menos confiante possível no futuro”. Ela foi tirada de versos latinos do poeta Horácio, interessado no epicurismo e no estoicismo ( nas suas Odes, I, 11, 8 “A Leuconoe”). Ela resume o poema que a precede e no qual Horácio busca persuadir Leuconoé a aproveitar o momento presente e dele retirar todas as suas alegrias, sem se inquietar nem com o dia nem com a hora de sua morte. Fraguentos retirados de http://pt.wikipedia.org/wiki/Carpe_diem


Tutankamon
 Mas não quero falar de "sê o menos confiante possível no futuro". Quero falar do presente e das coisas que colhemos dele. 
Ao contrário da brevidade do outro texto esse não será breve e nem longo. Porém na medida certa!
Pensei nesse poema de Horácio para tentar materializar sua leveza de atitude sem medo de ser audaz. Expressar sua essência epicurista de procurar um bem maior nos prazeres moderados atingindo assim, um estado de tranquilidade banindo o medo de falar. Em "Refletindo... Em poucas palavras" vc foi assim, pois o bem maior no momento foi o desejo de compartilhar outro pensamento reflexivo. O primeiro não é uma reflexão machista, muito pelo contrário. Mas não vou me alongar nessa vertente. Que o leitor observe ao redor e reflita sobre o caso. O segundo é grave. Provocado na maioria das vezes pelo silêncio dos bons. Temos que pensar muito sobre isso! Mas um completa o outro de uma forma estranha, realizado com isso, um casamento impensável Até o momento de seu comentário. Ainda estou pensando sobre isso, rsrsrsrsrsrsrs. Terei pensamentos para horas, quem sabe dias. Sou assim... movida por possibilidades.
Você comentou:
(1)Antigamente as mulheres cozinhavam igual à mãe...
Hoje, estão bebendo igual ao pai!"

(2)Antigamente os cartazes nas ruas, com rostos de criminosos, ofereciam recompensas; hoje em dia, pedem votos".


Compartilho com meus leitores a oportunidade que tive lá no DiHitt, ou seja  refletir sobre suas palavras. 


Tutankamon é egípcio, um rei que sei. Porém, escolhi um Romano para homenagear você e sua ousadia. Observe os grifos, pois são para você.
                                                      
Tu não indagues (é ímpio saber) qual o fim que a mim e a ti os deuses tenham dado, Leuconoé, nem recorras aos números babilônicos. 
Tão melhor é suportar o que será! Quer Júpiter te haja concedido muitos invernos, quer seja o último o que agora debilita o mar Tirreno nas rochas contrapostas, que sejas sábia, coes os vinhos e, no espaço breve, cortes a longa esperança. 
Enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso; colhe o dia, quanto menos confiada no de amanhã.
 Glossário

Estoicismo: escola de filosofia helenística. séc III a.c - Atenas
Epicurismo: sistema filosófico ensinado por Epicuro de Samos. séc.IV a.c
Não devemos indagar o tempo, mas devemos refletir sobre tudo que beija o vento
Pesquisa e fragmentos retirados na Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carpe_diem 

Comentando os grifos que fiz para você.

Não indagaste o fim que seus comentários lhe traria, e sim o bem que poderiam fazer. Escolheu suportar o que poderia vir, depois que os fizeste. De maneira sábia não causou ofensa, acredito ter sido porque não temeste a vaidade alheia. Preocupando-se mais, em não perder o dia, ou melhor a oportunidade da vida, que pode ser a qualquer momento levada pelo invejoso tempo, a qualquer hora. Pois sabes que ele passa rápido demais! Por isso colheu/aproveitou o dia, ou como preferir, Carpe Diem.

Um grande abraço!
Ótimo fim de semana.

Refletindo... Em poucas palavras.

Nos adaptarmos às mudanças é necessário...

Foto compartilhada no Faceboock por Marco Cavalcante


Foto compartilhada no Faceboock por Agente Edilson
Mas adaptar não é sinônimo de calar!



sábado, 18 de fevereiro de 2012

Bicicleta de Rodinha



Pensando num amigo querido resolvi republicar esse texto. Afinal o escrevi para ele... Saudades amigo...

Tarde fresca, cabeça quente. Precisando respirar para poder pensar.  Assim foi naquela tarde de verão. O mundo estava pequeno demais para a enormidade das minhas indecisões. Quando dei por mim, estava em um banco de uma charmosa pracinha perto de casa.

Com olhos desanimados e apáticos observei uma criança se equilibrando e desequilibrando em cima de uma bicicletinha de rodinha. A mãe veio ajudar, proteger, amparar. Mas um dedinho gorducho sinalizou um não. E uma vozinha determinada de criança disse: Mamãe você já me segurou demais! Agora quero tentar sozinho. Não vou cair não, a rodinha não deixa.

Aquele curto diálogo tirou-me do transe da vida adulta por alguns minutos. Passei a observar aquele pequeno valente e o desafio de sua pequena vida. Pelo visto era a primeira prova de sobrevivência no cotidiano daquela jovem vida.

Durante dez minutos observei suas tentativas. Caindo para um lado e para o outro, aos poucos foi se equilibrando, quando dei por mim o pequeno Davi, dei-lhe esse apelido. Já andava de lá pra cá. Ereto, digno e feliz. Havia vencido o desafio imposto por sua bicicleta de rodinha.

A mãe veio aplaudindo o pequeno. Muito bem querido! Disse ela. Agora você já é um ciclista.

O pequeno virou para e mãe e disse: mamãe tira as rodinhas. A mãe surpresa tentou argumentar. Vamos esperar mais uns dias. Até você se acostumar a andar com as rodinhas. Ele determinado rebateu. Mas mãe... você não está vendo que já estou ótimo? Quero que a senhora tire as rodinhas. A contra gosto a mãe atendeu ao pedido do pequeno Davi. Tirou as rodinhas. E mais uma vez lá foi ele. Porém não seria nada fácil dessa vez.

Rindo eu observava  aquela cena. Misto de determinação, coragem e inocência. Até havia me esquecido o que me levara àquela praça. Voltei a observar o pequeno.

Ele caiu duas vezes, sendo que na segunda esfolou todo o joelho. Vi que ele chorava, pois o joelho sangrava. A mãe como sempre tentava fazê-lo mudar de idéia. Vamos voltar a colocar as rodinhas?
Determinado mais uma vez disse não!

Agora com mais atenção, eu nem piscava. Quero ver no que vai dar isso. De repente o danadinho saiu pedalando. Parecia que nasceu sabendo andar de bicicleta. Sem ver comecei a bater palmas. Parecia que era eu quem estava naquela bicicleta. Meio desconcertada, pelo entusiasmo exagerado levantei ajeitando a saia, e fui andando.

No caminho de casa pensei: Preciso tirar as rodinhas que escoram a minha vida. Já é hora de removê-las! Algumas já estão até gastas de tanto suportar o peso da indecisão.

Ao longe ouvi a mãe chamar: Wagner. Vamos embora. Está tarde!


Então esse é o nome do meu pequeno Davi? Wagner... Mas sempre me lembrarei dele como Davi!
Texto de Regina Márcia


A LIBERDADE de ir e vir é o que nos leva até o outro


Amigo(a)s do Jeitinho Mineiro estou aqui hoje para  compartilhar com vocês um comentário deixado em meu Blog, pela querida amiga Van. Antes eu não sabia se "Van" era um menino ou menina. Depois que ela fez uma entrevista no Blog da Gisele http://wwwgiseleloira.blogspot.com pude desvendar um pouco mais essa onda de mistério que envolve nossa querida amiga. Mas nem todo mistério foi desvendado, pois não sei de qual parte do Brasil nossa querida é, só sei que gosto demais de ir visitar seu blog, e recomendo, quem ainda não foi que vá! É um espaço que cheira à poesia. Para mim tem cheiro de chocolate. Amo chocolate e adoro poesia. Eu costumo dizer que poesia tem cheiro, o nosso cheiro preferido!.

 Hoje ela me surpreendeu mais uma vez, pois deixou um comentário onde explicava de forma simples e objetiva o motivo de nós mineiros falarmos assim... tudujuntiin. 

A história de nossa fala mansa e agarradinha foi um dos motivos por ter criado o meu blog. A essência  do Jeitinho Mineiro significa, "Liberdade ainda que tardia" esses são os dizeres escritos em latim em nossa bandeira, em meu texto "Minha Minas em Prosa e Verso" descrevo o nosso desejo de liberdade. E a Van inteligentemente e com uma enorme sensibilidade deixou um dos motivos que me levaram a escolher o nome de Jeitinho Mineiro. Este nome tem um significado em minha história de vida que vocês não fazem ideia. Mas isso é uma longa história, para um outro post. Voltemos a Van, estrela deste post. 

Oi Regina,


e sabe qual é a origem desta forma de falar dos mineiros, que reduz as palavras a uma sílaba só e as frases a uma única palavra?

Segundo estudiosos, deve-se à pressão sofrida pelos mineiros na época do ciclo do ouro, quando a coroa portuguesa colocava ouvidores nomeados ocultamente por ela, para manter relações de amizade com as pessoas e as famílias, frequentar suas casas e denunciar quem vivia com fartura, um possível sinal de que esta pessoa estava extraindo ilegalmente o ouro que diziam pertencer somente à coroa. para se defenderem das denúncias o povo usava o recurso de diminuir as palavras e emenda-las, na tentativa de não permitir que os portugueses entendessem o que falavam entre si.

Vem desta mesma situação de opressão e temor, o maior traço do temperamento dos mineiros: o ser reservado, desconfiado e quietinho. Um povo que viveu sob opressão e ameaça de condenação ou morte, nos primeiros tempos de sua organização, por serem habitantes da terra mais rica do país, só poderiam ser desconfiados e discretos, preservando-se sempre e fazendo mais do que falando. Comendo quietinho e escondendo o
queijo na gaveta pra ninguém saber com quantas posses viviam, por isso as mesas coloniais em Minas todas possuem gavetas, pra esconder o queijo quando a visita chegava, não propriamente por ser "pão-duro", mas pra salvar o pescoço. Ser rico em Minas na época da colônia era sempre um risco de ser acusado de roubo nas minas e literalmente "perder a cabeça" por isto.

E, por causa desta mesma opressão, nasceu em Minas o grito de liberdade que ecoou em todo o país e culminou com a independência nacional. 

A bandeira mineira nos conta sobre esta opressão e esta luta.

Ser mineiro é ser quietinho, é falar curtinho e, acima de tudo é ser livre.

Adorei o "mineirim cuzinhano". rsrsrs

Beijos! 

Van 

Van receba minha singela homenagem, pois, seu cometário foi para mim uma homenagem também! Quando o outro tem a sensibilidade em ler nas entrelinhas de nossa alma é uma dádiva de Deus e devemos agradecer. Estamos todos em um amplo processo de humanização. E esse processo só se desenvolve por meio das relações humanas.

Eu, Regina Márcia, Bisneta de ex - escrava, dona Maria da Conceição, a quem tive a oportunidade de conhecer em vida ainda, pois nos deixou com seus 110 anos, mas em tempo de relatar os sofrimentos vividos na senzala. E meu bisavô que não tive o privilégio de conhecer, pois morreu logo que a liberdade chegou. Não conseguiu conviver com ela. Dizem que ele não sabia para onde ir e nem o que fazer. Ficava na varando esperando... esperando... Acho que a morte chegar.

Eu nasci livre, cresci livre e vivo livre. E sei o quanto isso custou!  Sangue de brancos e negros foi derramado pelos caminhos da Estrada Real. Mas chegamos até aqui!

Jeitinho Mineiro. É mais que um jeitiin de falar...        

Van Bjos!